http://www.youtube.com/watch?v=9QgqhmaO1aY&feature=related
"Outra espécie de homens é constituída por aqueles que se sentem devorados pela mania de construir. Uma vez invadidos por essa irrequieta paixão, nunca se dão por satisfeitos, sendo a sua preocupação contínua a de fazer, edificar, destruir, até que, como Horácio, nessa tarefa de mudar o quadrado em redondo e o redondo em quadrado, acabam por ficar sem casa e sem pão. E com que ficam? Ficam com a doce lembrança de terem passado com prazer um grande número de anos." - Erasmo de Rotterdam
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A OUTRA MARGEM
http://www.youtube.com/watch?v=9QgqhmaO1aY&feature=related
sábado, 15 de outubro de 2011
Quietude
Palavra vale ouro, vale honra. Palavra constrói e destrói; eleva e reduz; faz brotar e aniquila. Palavra é coisa muito delicada. É um fiozinho que une vidas e que não pode se romper. O uso da palavra não pode ser muito breve nem muito longo. Palavra não pode ficar sempre escondida, nem pode ser desgastada. Eu confesso: muitas vezes tenho medo de me manifestar com elas, prefiro um gesto, um sorriso, um olhar, que são também formas da tal comunicação. Eu custei a falar do meu amor para a mulher que eu amo. Sofri com isso. Pois então, o que era pra ser, como se diz, verbalizado, ficou travado na minha garganta muito tempo - tempo demais. Certas palavras tomam o controle da vida gente e nos oprime, quando era pra nos libertar. Foi assim comigo.
Às vezes eu invejo as crianças que perguntam, falam, falam, especulam sem pudor, como se tivessem poder sobre as palavras. Algumas crianças mais ativas nos deixam sem respostas e isso é bom. Mas a educação e a tal moralidade, ou sei-lá-o-quê, vai diminuindo este poder delas. Mais tarde muitas sofrem por necessitar da liberdade que tinham. Eu nunca fui muito de falar não, mas conheci gente que passou por isso.
Eu vivia meio agoniado por ser assim tão quieto. Não, não sou calmo, só quieto. Desde menino sou assim. Chamam de timidez, e deve ser mesmo. Eu queria imitar os outros meninos mais saídos porque eu achava que eles conseguiam mais coisas dos pais, e tal. Um dia eu dei uma rosa pra minha mãe. Acho que vi uma coisa assim num filme - não sei direito, me desculpe. Dei a rosa sem dizer palavra. Minha mãe pegou a rosa e me sorriu com o olhar, então eu entendi o significado, o segredo da tal comunicação: um belo gesto não precisa de palavra. um belo gesto só precisa ser feito. Isso fez um bem pra mim danado. Ainda faz.
Um dia um sujeito - desculpe - um professor, me disse que eu era "um tanto meditabundo". Eu ri. Pensei: "que palavra esquisita!" "Me-di-ta-bun-do!", soletrei. Mas fui procurar no dicionário e percebi que ele estava certo e achei mais graça ainda. Sou somítico não, sô. Prefiro mesmo é ficar quieto no meu canto. È o que eles chamam por aí de "mineiridade". Deve ser.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Pedido
Acalme-se, que o amor não acaba,
às vezes parece que evapora
e vai se juntando à terra, à água
aos bichos, às plantas e às flores
e depois se plasma em nós com outros sabores
mais doces que nosso amor de outrora
Acalme-se, o amor não se vai
ele muitas vezes adormece
num canto qualquer da gente
até acordar revigorado
pronto para ser nosso amor de antigamente
Acalme-se o amor não se extingue
ainda que pareça que mingue
ele vai à toda hora beber da fonte
e brincar de roda com crianças
e faz malvadezas com um estlingue
e depois volta para minha casa a meio do outeiro
e o lavo num ritual muito limpo
Acalme-se, o amor não é pra ontem
O amor é pra sempre
mesmo que ora não esteja em nós
já nos atou nos nós de grossa corrente
Acalme-se, peço a você e também a mim mesmo
que sou ciente e cioso da beleza deste amor que tenho
e me ponho a escrever versos à esmo
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Volto a falar da dor
A mãe ama demais, ama um amor que nunca tinha experimentado na vida.
Ontem ouvi um pai dizer que mãe estraga filho. É esse amor que dói que estraga tudo.
Estraga a relação, estraga amizades, estraga o casal, estraga o trabalho e estraga até a própria mãe. A um tempo atrás, pisei na bola com uma mãe. Ela nunca me perdoou e nossa amizade acabou. Mas o meu erro foi ter amado essa mãe e essa filha, como se fossem minhas próprias filhas. Lêdo engano. Eu não era mãe delas e hoje me vejo afastada do convívio das duas. Por mais que peça desculpas, por mais que tenha explicado minha atitude, o que ficou foi o fato de as ter separado. Hoje sofro por ter participado disso.
Tento virar a página, superar, mas o amor que tenho por elas não entende as informações que meu cérebro manda.
O cérebro e o coração não falam a mesma língua!
Quando fiz o que fiz, ainda não era mãe e hoje além de sofrer a perda, sofro a dor que ela sentiu na ocasião.
Hoje essa mãe se refez, não precisa me perdoar e nem precisa mais da minha amizade, mesmo porque ela não entendeu o que eu fiz.
Eu entendi, eu estava protegendo a minha própria mãe, que já tinha sofrido a maior dor que uma mãe pode sentir.
Mas essa dor eu não desejo pra ninguém!!!!
domingo, 19 de junho de 2011
O elogio da Dor - A dor de ser mãe

Ser mãe é lindo, sublime, um amor que não tem medida! Um simples erro, um deslize idiota, pode se transformar em trauma para as mães zelosas. Agora que sou mãe, descobri que nenhuma dor dói tanto quanto este amor. Tenho vontade de andar de joelhos atrás da minha mãe pedindo perdão por tudo que fiz, por toda dor que causei, sem saber a dimensão do sentimento. Um apelo: as mães merecem carinho e muita, mas muita compreensão, apesar de nem elas mesmas compreenderem o que fazem em nome deste estranho e infinito amor.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Marasmo
De resto fica pela cidade desfilando o cavanhaque e mais nada. Mas não se poderia esperar muita coisa da maioria dos cidadãos marasmenses. A não ser que se tornassem vítimas da sua própria burrice.
Breve falarei-vos mais de Marasmo. Aguardem-me.
sábado, 11 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
O Elogio da Opinião
Como todos têm narizes: todos têm opinião. Na verdade esta devia ser a ordem natural das coisas, mas há nas camadas sociais gente que age como bois, ou melhor, papagaios, e vivem a repetir a opinião alheia, como se fosse sua. E ainda se gabam disso. Este aspecto da personalidade humana proporcionou a imortalidade aos filósofos e é uma manifestação da loucura. Vivem a repetir aforismos sem sentido, como se fossem donos da sabedoria.
Este escriba não age assim. O que ele quer dizer agora é que não se importa nem um pouco com a opinião alheia. Talvez por ser mais louco que todos - o que é provável. O fato é que ele vai expor aqui seus pontos de vista, seus gostos, sua indignação, sua raiva, sua alegria, e quem não gostar não vai poder fazer nada.
O Elogio da Poesia
LA ORACION DE LAS ROSAS
¡Ave rosas, estrellas solemnes
Rosas, rosas, joyas vivas de infinito;
bocas, senos y almas vagas perfumadas;
llantos, ¡besos!, granos, polen de la luna;
dulces lotos de las almas estancadas;
¡ave rosas, estrellas solemnes!
Amigas de poetas
y de mi corazón,
¡ave rosas, estrellas
de luminosa Sión!
Panidas, sí, Panidas;
el trágico Rubén
así llamó en sus versos
al lánguido Verlaine,
que era rosa sangrienta
y amarilla a la vez.
Dejad que así os llame,
Panidas, sí, Panidas,
esencias de un Edén,
de labios danzarines,
de senos de mujer.
Vosotras junto al mármol
la sangre sois de él,
pero si fueseis olores
del vergel
en que los faunos moran,
tenéis en vuestro ser
una esencia divina:
María de Nazaret,
que esconde en vuestros pechos
blancura de su miel;
flor única y divina,
flor de Dios y Luzbel.
Flor eterna. Conjuro al suspiro.
Flor grandiosa, divina, enervante,
flor de fauno y de virgen cristiana,
flor de Venus furiosa y tonante,
flor mariana celeste y sedante,
flor que es vida y azul fontana
del amor juvenil y arrogante
que en su cáliz sus ansias aclara.
¡Qué sería la vida sin rosas!
Una senda sin ritmo ni sangre,
un abismo sin noche ni día.
Ellas prestan al alma sus alas,
que sin ellas el alma moría,
sin estrellas, sin fe, sin las claras
ilusiones que el alma quería.
Ellas son refugio de muchos corazones
ellas son estrellas que sienten el amor,
ellas son silencios que lentos escaparon
del eterno poeta nocturno y soñador,
y con aire y con cielo y con luz se formaron,
por eso todas ellas al nacer imitaron
el color y la forma de nuestro corazón.
Ellas son las mujeres entre todas las flores,
tibios sancta sanctorum de la eterna poesía,
neáporis grandiosas de todo pensamiento,
copones de perfume que azul se bebe el viento,
cromáticos enjambres, perlas del sentimiento,
adornos de las liras, poetas sin acento.
Amantes olorosas de dulces ruiseñores.
Madres de todo lo bello,
sois eternas, magníficas, tristes
como tardes calladas de octubre,
que al morir, melancólicas, vagas,
una noche de otoño las cubre,
porque al ser como sois la poesía
estáis llenas de otoño, de tardes,
de pesares, de melancolía,
de tristezas, de amores fatales,
de crepúsculo gris de agonía,
que sois tristes, al ser la poesía
que es un agua de vuestros rosales.
Santas rosas divinas y varias,
esperanzas, anhelos, pasión,
deposito en vosotras, amigas;
dadme un cáliz vacío, ya muerto,
que en su fondo, mustiado y desierto,
volcaré mi fatal corazón.
¡Ave rosas, estrellas solemnes!
Llenas rosas de gracia y amor,
todo el cielo y la tierra son vuestros
y benditos serán los maestros
que proclamen la voz de tu flor.
Y bendito será el bello fruto
de tu bello evangelio solemne,
y bendito tu aroma perenne,
y bendito tu pálido albor.
Solitarias, divinas y graves,
sollozad, pues sois flores de amor,
sollozad por los niños que os cortan,
sollozad por ser alma y ser flor,
sollozad por los malos poetas
que no os pueden cantar con dolor,
sollozad por la luna que os ama,
sollozad por tanto corazón
como en sombra os escucha callado,
y también sollozad por mi amor.
¡Ay!, incensarios carnales del alma,
chopinescas romanzas de olor,
sollozad por mis besos ocultos
que mi boca a vosotras os dio.
Sollozad por la niebla de tumba
donde sangra mi gran corazón,
y en mi hora de estrella apagada,
que mis ojos se cierren al sol,
sed mi blanco y severo sudario,
chopinescas romanzas de olor.
Ocultadme en un valle tranquilo,
y esperando mi resurrección,
id sorbiendo con vuestras raíces
la amargura de mi corazón.
Rosas, rosas divinas y bellas,
sollozad, pues sois flores de amor.
Federico Garcia Lorca
Para Norma Nascimento
Foto: arquivo do blog
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Fagulhas, pontas de agulha,
Eu não esperei o bailar das moças e rapazes porque um automóvel com uma aparelhagem de música infernal, feriu meus ouvidos. Se é que era música aquilo. Minha loucura não chega a tanto. Saí dali com uma certeza de que há quadrilhas que precisam de ensaio e são belas; mas há outra que precisa de advogados e ocupa a avenida transversal. Nesta não há beleza e santo nenhum toma parte.
Aos artistas de rua
terça-feira, 7 de junho de 2011
Os Patéticos
Andam os humanos daqui a disputar eleições. São os "cidadãos de bem", assim chamados pelo povo, mas que na hora da votação, sem o menor pudor, transformam-se em violentas feras. Capazes de da maior baixeza, da mais vil atitude.
Devo admitir que são corajosos, pois nem César teve coragem para ignorar o povo.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
A outra morte do Tiradentes
domingo, 5 de junho de 2011
Eu, por mim mesmo
A internet é um exemplo clássico. Nela solitários, sem saber, ficam ainda mais solitários enquanto desfiam arrogância e pedantismo. Enquanto isso políticos escondem-se nos seus gabinetes ar-condicionados e praticam os mesmos atos obscenos que os de antigamente.