Todos temos narizes. Uns os têm aquilinos, delicados, curtos ou longos; outros os têm aduncos, tortos, verdadeiros usurpadores do oxigênio. Há os que gostam de meter seus narizes em assuntos que são apenas de interesse privado, são os fofoqueiros. Este escriba tem um nariz. Não importa se é um nariz feio, adunco ou delgado; o fato é este que escriba não se mete em assuntos particulares, exceto quando não se tornam mais tão particulares assim.
Como todos têm narizes: todos têm opinião. Na verdade esta devia ser a ordem natural das coisas, mas há nas camadas sociais gente que age como bois, ou melhor, papagaios, e vivem a repetir a opinião alheia, como se fosse sua. E ainda se gabam disso. Este aspecto da personalidade humana proporcionou a imortalidade aos filósofos e é uma manifestação da loucura. Vivem a repetir aforismos sem sentido, como se fossem donos da sabedoria.
Este escriba não age assim. O que ele quer dizer agora é que não se importa nem um pouco com a opinião alheia. Talvez por ser mais louco que todos - o que é provável. O fato é que ele vai expor aqui seus pontos de vista, seus gostos, sua indignação, sua raiva, sua alegria, e quem não gostar não vai poder fazer nada.
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