para Nara Hassan, sempre
Acalme-se, que o amor não acaba,
às vezes parece que evapora
e vai se juntando à terra, à água
aos bichos, às plantas e às flores
e depois se plasma em nós com outros sabores
mais doces que nosso amor de outrora
Acalme-se, o amor não se vai
ele muitas vezes adormece
num canto qualquer da gente
até acordar revigorado
pronto para ser nosso amor de antigamente
Acalme-se o amor não se extingue
ainda que pareça que mingue
ele vai à toda hora beber da fonte
e brincar de roda com crianças
e faz malvadezas com um estlingue
e depois volta para minha casa a meio do outeiro
e o lavo num ritual muito limpo
Acalme-se, o amor não é pra ontem
O amor é pra sempre
mesmo que ora não esteja em nós
já nos atou nos nós de grossa corrente
Acalme-se, peço a você e também a mim mesmo
que sou ciente e cioso da beleza deste amor que tenho
e me ponho a escrever versos à esmo
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