domingo, 19 de junho de 2011

O elogio da Dor - A dor de ser mãe


Ser mãe é lindo, sublime, um amor que não tem medida! Um simples erro, um deslize idiota, pode se transformar em trauma para as mães zelosas. Agora que sou mãe, descobri que nenhuma dor dói tanto quanto este amor. Tenho vontade de andar de joelhos atrás da minha mãe pedindo perdão por tudo que fiz, por toda dor que causei, sem saber a dimensão do sentimento. Um apelo: as mães merecem carinho e muita, mas muita compreensão, apesar de nem elas mesmas compreenderem o que fazem em nome deste estranho e infinito amor.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Marasmo

Marasmo é um pequeno burgo, entre tantos pequenos burgos que existem por aí. Em Marasmo quase nunca há novidade, é uma repetição da tolice e da loucura, ad aeternum. A ultima novidade em Marasmo são meninos se matando. Mas isso é comum em qualquer.

O burgomestre de Marasmo parece uma personagem do teatro de sombra chinês, tamanha é a perfeição de seus movimentos e sua capacidade de desaparecer quando é necessário se mostrar.
De resto fica pela cidade desfilando o cavanhaque e mais nada. Mas não se poderia esperar muita coisa da maioria dos cidadãos marasmenses. A não ser que se tornassem vítimas da sua própria burrice.

Breve falarei-vos mais de Marasmo. Aguardem-me.

sábado, 11 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Elogio da Opinião

Todos temos narizes. Uns os têm aquilinos, delicados, curtos ou longos; outros os têm aduncos, tortos, verdadeiros usurpadores do oxigênio. Há os que gostam de meter seus narizes em assuntos que são apenas de interesse privado, são os fofoqueiros. Este escriba tem um nariz. Não importa se é um nariz feio, adunco ou delgado; o fato é este que escriba não se mete em assuntos particulares, exceto quando não se tornam mais tão particulares assim.

Como todos têm narizes: todos têm opinião. Na verdade esta devia ser a ordem natural das coisas, mas há nas camadas sociais gente que age como bois, ou melhor, papagaios, e vivem a repetir a opinião alheia, como se fosse sua. E ainda se gabam disso. Este aspecto da personalidade humana proporcionou a imortalidade aos filósofos e é uma manifestação da loucura. Vivem a repetir aforismos sem sentido, como se fossem donos da sabedoria.

Este escriba não age assim. O que ele quer dizer agora é que não se importa nem um pouco com a opinião alheia. Talvez por ser mais louco que todos - o que é provável. O fato é que ele vai expor aqui seus pontos de vista, seus gostos, sua indignação, sua raiva, sua alegria, e quem não gostar não vai poder fazer nada.

O Elogio da Poesia


LA ORACION DE LAS ROSAS


¡Ave rosas, estrellas solemnes
Rosas, rosas, joyas vivas de infinito;
bocas, senos y almas vagas perfumadas;
llantos, ¡besos!, granos, polen de la luna;
dulces lotos de las almas estancadas;
¡ave rosas, estrellas solemnes!

Amigas de poetas
y de mi corazón,
¡ave rosas, estrellas
de luminosa Sión!
Panidas, sí, Panidas;
el trágico Rubén
así llamó en sus versos
al lánguido Verlaine,
que era rosa sangrienta
y amarilla a la vez.
Dejad que así os llame,
Panidas, sí, Panidas,
esencias de un Edén,
de labios danzarines,
de senos de mujer.
Vosotras junto al mármol
la sangre sois de él,
pero si fueseis olores
del vergel
en que los faunos moran,
tenéis en vuestro ser
una esencia divina:
María de Nazaret,
que esconde en vuestros pechos
blancura de su miel;
flor única y divina,
flor de Dios y Luzbel.

Flor eterna. Conjuro al suspiro.
Flor grandiosa, divina, enervante,
flor de fauno y de virgen cristiana,
flor de Venus furiosa y tonante,
flor mariana celeste y sedante,
flor que es vida y azul fontana
del amor juvenil y arrogante
que en su cáliz sus ansias aclara.

¡Qué sería la vida sin rosas!
Una senda sin ritmo ni sangre,
un abismo sin noche ni día.
Ellas prestan al alma sus alas,
que sin ellas el alma moría,
sin estrellas, sin fe, sin las claras
ilusiones que el alma quería.

Ellas son refugio de muchos corazones
ellas son estrellas que sienten el amor,
ellas son silencios que lentos escaparon
del eterno poeta nocturno y soñador,
y con aire y con cielo y con luz se formaron,
por eso todas ellas al nacer imitaron
el color y la forma de nuestro corazón.
Ellas son las mujeres entre todas las flores,
tibios sancta sanctorum de la eterna poesía,
neáporis grandiosas de todo pensamiento,
copones de perfume que azul se bebe el viento,
cromáticos enjambres, perlas del sentimiento,
adornos de las liras, poetas sin acento.
Amantes olorosas de dulces ruiseñores.

Madres de todo lo bello,
sois eternas, magníficas, tristes
como tardes calladas de octubre,
que al morir, melancólicas, vagas,
una noche de otoño las cubre,
porque al ser como sois la poesía
estáis llenas de otoño, de tardes,
de pesares, de melancolía,
de tristezas, de amores fatales,
de crepúsculo gris de agonía,
que sois tristes, al ser la poesía
que es un agua de vuestros rosales.
Santas rosas divinas y varias,
esperanzas, anhelos, pasión,
deposito en vosotras, amigas;
dadme un cáliz vacío, ya muerto,
que en su fondo, mustiado y desierto,
volcaré mi fatal corazón.
¡Ave rosas, estrellas solemnes!
Llenas rosas de gracia y amor,
todo el cielo y la tierra son vuestros
y benditos serán los maestros
que proclamen la voz de tu flor.
Y bendito será el bello fruto
de tu bello evangelio solemne,
y bendito tu aroma perenne,
y bendito tu pálido albor.
Solitarias, divinas y graves,
sollozad, pues sois flores de amor,
sollozad por los niños que os cortan,
sollozad por ser alma y ser flor,
sollozad por los malos poetas
que no os pueden cantar con dolor,
sollozad por la luna que os ama,
sollozad por tanto corazón
como en sombra os escucha callado,
y también sollozad por mi amor.
¡Ay!, incensarios carnales del alma,
chopinescas romanzas de olor,
sollozad por mis besos ocultos
que mi boca a vosotras os dio.
Sollozad por la niebla de tumba
donde sangra mi gran corazón,
y en mi hora de estrella apagada,
que mis ojos se cierren al sol,
sed mi blanco y severo sudario,
chopinescas romanzas de olor.
Ocultadme en un valle tranquilo,
y esperando mi resurrección,
id sorbiendo con vuestras raíces
la amargura de mi corazón.

Rosas, rosas divinas y bellas,
sollozad, pues sois flores de amor.

Federico Garcia Lorca

Para Norma Nascimento
Foto: arquivo do blog

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Fagulhas, pontas de agulha,

Uma duas dezenas pessoas ensaiavam quadrilha na avenida principal. São os festejos de Santo Antônio, São Pedro e São João que ocorrem nestas terras há séculos. Havia por parte dos que ensaiavam muito boa vontade, muito espírito esportivo, enfim estas coisas que os homens de hoje e de sempre dizem "ser necessário valorizar", coisa que poucos fazem.

Havia no olhar deles um certo romantismo, uma nostalgia de tempos que não viveram, de cenas que não protagonizaram, o que é uma manifestação de loucura. Convenhamos não há louco maior que um romântico. Bom, talvez até haja. Mas o leitor que se emociona hoje assim, como choraria se lesse Os sofrimentos do jovem Werther na época de seu lançamento, para ficarmos num exemplo apenas.

Eu não esperei o bailar das moças e rapazes porque um automóvel com uma aparelhagem de música infernal, feriu meus ouvidos. Se é que era música aquilo. Minha loucura não chega a tanto. Saí dali com uma certeza de que há quadrilhas que precisam de ensaio e são belas; mas há outra que precisa de advogados e ocupa a avenida transversal. Nesta não há beleza e santo nenhum toma parte.

Aos artistas de rua

Hoje, pela manhã, um pensamento autocrítico me veio à cabeça: O meu problema é levar tudo à sério demais. Pois bem, cerca de uma hora e meia depois estava eu na cidade de Ubá, tratando de resolver pepinos, quando, passando pelo calçadão, me deparei com dois artistas de rua que executavam seus números para quem passasse por ali. Eram estátuas humanas, pintados de cor prata, dando a impressão de serem feitos de pedra, achei a imagem muito bonita e reduzi a velocidade dos passos a fim de observar com mais calma. Eis que por mim passa um senhor andando a largos e aflitos passos e olhando para as estátuas, murmura:

- Que pouca vergonha!

Não sei dizer se os artistas ouviram a exclamação, mas eu ouvi e aquilo passou por mim como uma estaca de empalação. Fiquei por um tempo remoendo e tentando entender o sentido daquilo. Seria aquele número artístico um atentado ao pudor, pra ser considerado uma pouca vergonha? Lembrei das tantas vezes que executei meu violãozinho em algum boteco qualquer, tomando aquela cachaça fresquinha, feita quase na hora, cantando sem pretensão, para admiradores que nada exigiam de mim. Estaria eu também, ou eles, fazendo vergonha?

Voltei então ao pensamento que me viera à cabeça logo pela manhã e vi que a atitude do senhorzinho é a mesma daqueles que insistem em acreditar que a vida é esse emaranhado de regras, planos, objetivos e condutas que nos fazem engolir dia a dia. Que saco! Como tem gente que prefere cultivar rugas à rir daquela flatulência em hora imprópria, cuja contenção foi mal sucedida, viu!?

No tempo em que permaneci vislumbrando os artistas, vi pessoas que passavam deixando escapar sorrisos, pessoas que também não exigiam nada, pois consideravam tudo muito suficiente. O palco estava armado e o show acontecendo, pra todo mundo ver, sem pretensões, sem porquês, sem imposições de qualquer natureza. Prefiro me juntar a esses, pois olham tudo com mais leveza, sem querer saber se aquilo se explica, se tem nome ou outro jeito de fazer, apenas convivem com as coisas em sua plenitude. A eles, meus sinceros agradecimentos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O Elogio da Beleza

Os Patéticos


Andam os humanos daqui a disputar eleições. São os "cidadãos de bem", assim chamados pelo povo, mas que na hora da votação, sem o menor pudor, transformam-se em violentas feras. Capazes de da maior baixeza, da mais vil atitude.

Disputam eleições para tudo, não se contentando com a disputa do cargo de burgomestre, coisa inevitável e, claro, compram votos, cooptam eleitores, coagem, tudo para quê? Para entupir as próprias burras, evidentemente. E de burras cheias, ignoram seus eleitores.

Devo admitir que são corajosos, pois nem César teve coragem para ignorar o povo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A outra morte do Tiradentes

Inconfidência é um substantivo feminino que significa falta de lealdade ou de fé à confiança depositada. É este o significado de inconfidência, segundo os dicionaristas. Em resumo: todo inconfidente é um traidor. Mas os homens mudam o sentido das palavras de acordo com a sua conveniência, por isso aqui neste estado os conjurados que se uniram ao bom Joaquim José da Silva Xavier ficaram conhecidos como "inconfidentes". Não foram os poetas insurgentes que estavam no meio que criaram esta rima ruim para o Tiradentes, foi sim a conveniência.

Mas agora olhando a capa de uma revistinha daqui vejo que o nome voltou a ter o significado original - o que é terrível. É que o burgomestre ganhou a "medalha da inconfidência". Isso quer dizer que o esforço dos conjurados do século 18 e a forca do Alferes foram em vão.

Foi como dar uma medalha pro Joaquim Silvério dos Reis ou para Judas.





























Pag: 2

domingo, 5 de junho de 2011

Eu, por mim mesmo

Há tempos venho acompanhando a sociedade, sua evolução - que é apenas aparente, creiam-me - e as inúmeras bobagens que criam sem mesmo saber por quê. Mas ao cria-las os homens sempre sabem para quê, o que é uma contradição.

A internet é um exemplo clássico. Nela solitários, sem saber, ficam ainda mais solitários enquanto desfiam arrogância e pedantismo. Enquanto isso políticos escondem-se nos seus gabinetes ar-condicionados e praticam os mesmos atos obscenos que os de antigamente.

Aqui neste blog tentarei expor cada ato deles, pois são eles que me interessam já que a sociedade é um caso perdido de loucura.

Acompanhem-me e não se decepcionarão.