Não tenho talento algum.
Sou aquele servo a quem foi confiado 1 talento
e, por medo da severidade do meu senhor, o escondeu na terra
e foi repreendido e lançado neste mundo exterior
onde só há trevas e ranger de dentes.
Sim, eu sou este infeliz.
Olho o mundo à minha volta
e em cada coisa que há nele,
vejo sinais do meu erro.
Ele está nas árvores que dão sombra e fruto,
nas aves que dão som e alegria,
nos animais que conhecem a humildade,
nas ervas que curam,
no frescor da água,
no calor do fogo,
nas estrelas que brilham,
na lua que evoca amores,
no sol que a tudo ilumina.
Não tenho talento algum, bem sei.
Mas não trago em mim arrependimentos,
nem mesmo invejo os outros
que multiplicaram os que o senhor lhes deu.
O que me entristece de fato é saber
que há um número grande de outros sem talento
que estão jogados às trevas e ao relento,
condenados à ignomínia como eu.
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