segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Alma



Não sei quantas vezes fiquei na estação imaginária
a sonhar com quem jamais viria. Não sei.
A olhar o movimento das pessoas
que nem se pareciam com conhecidos
- transeuntes inventados pelo meu sofrimento.
E tanto barulho, cheiros, choros, gritos...
frutos desta briga travada entre a razão e o coração.
E eu me via ali no meio de tanta gente e tão só,
até que eu acordava e me dava conta da solidão e sofria.
Só sabia o porquê dessa estação imaginária, e me resignava

Não sei quantas vezes voltarei à estação imaginária,
com o coração sofrendo e a mente revoltada.
Não sei por quantas vezes reviverei a amargura
do momento em que a razão prevaleceu,
afastando a minha parte mais amada.

Não sei quantas vezes sentirei
minha alma – minha serva - me conduzindo
por terras estranhas que nunca irei,
cidades exóticas que não conhecerei,
planetas distantes que jamais saberei.
Me mostrando clowns que têm meu rosto,
pedintes que têm o meu falar,
legiões de abandonados que têm o meu olhar.
E depois me recolocando na estação imaginária. Não sei.


Não sei por quantas vezes voltarei lá.  
Só sei que haverá um dia em que um dia
condutor solidário - tal qual o barqueiro sombrio,
me conduzirá para a viagem que me livrará de tudo isso
e minha alma enfim se tornará livre.


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